escola para todos

Avaliação Curso: ESCOLA PARA TODOS E CADA UM feita pela aluna Miriam Sardinha (2016)

Antes do curso, quando eu pensava e falava em Inclusão Escolar, era especificamente direcionada aos alunos portadores de necessidades especiais. Até porque, entre tantas dificuldades que as escolas enfrentam, a obrigatoriedade de aceitar alunos com necessidades especiais se tornou a maior dificuldade das escolas, seja pelo desconhecimento dos casos, pela obrigatoriedade de adaptações, de ver, agir e pensar diferente.

Com este curso meu pensamento sobre Inclusão Escolar passou a envolver todos os alunos com ou sem dificuldade, com necessidades e possibilidades diferentes, interesses e habilidades pessoais distintos que fazem de cada ser, um ser único.

Uma frase que me marcou foi: “Saber o que o aluno tem (seja laudo fechado ou hipótese), não pode ser uma barreira para desenvolver um trabalho com ele”. É preciso acreditar e trabalhar com o que cada um pode oferecer a partir do que cada um é capaz, estimulando o progresso individual, ou seja, o nome do transtorno, da síndrome, ou doença não é limite para o desenvolvimento. Os avanços são conquistados aos poucos, degrau por degrau. Não adianta querer trabalhar com a dificuldade sem conquistar confiança e credibilidade dos estudantes, muitas vezes é preciso dar um passo atrás, estabelecer vínculo, resgatar a autoconfiança, gerar vontade e desejo que mobilizam o indivíduo aos progressos.

Estou construindo minha prática psicopedagógica, pois o trabalho clínico e individual é muito novo para mim. Este foi apenas meu segundo ano no consultório, após 27 anos de magistério. Algo que me desafiava como professora era como manter estimulados os alunos com alto desempenho sem deixar para trás alunos com ritmo mais lento, com necessidade de mais sistematização, dentro de um mesmo espaço com limite de tempo e pressão de conteúdo denso e famílias exigentes.
Mas algo muito claro que senti neste ano se refere exatamente ao que mencionei na questão anterior: conquistar a confiança das famílias para favorecer as crianças com um tempo para se perceberem capazes de fazer o que realmente são capazes, criar confiança e gosto pela aprendizagem e, irem progredindo, aos poucos até atingirem os objetivos estabelecidos para elas. Citarei rapidamente um caso:
• Era o pedido de reforço escolar para uma criança de 7 anos, cursando o 2º ano do Ensino Fundamental, cuja dificuldade era a leitura e a escrita, e sua mãe temerosa com a possibilidade de que a filha tivesse dislexia e, viesse a sofrer bullying por isso. Ao iniciar, fui dando orientações à mãe sobre a filha estar na fase de alfabetização, que o tempo de aquisição da leitura e escrita é muito pessoal, e sugeri trabalhar com habilidades de leitura e escrita diferentemente do ritmo da sala de aula, com materiais diferentes da escola, como se estivesse iniciando a alfabetização, resgatando o interesse e a curiosidade pela leitura e escrita, encontrando e fechando os “buraquinhos” que estavam atrapalhando. Assim, fomos percebendo na criança a necessidade de fixação, mais conversa para compreensão, necessidade de ouvir muita história para ampliação de vocabulário. Aos poucos, a criança timidamente começou a se envolver com as propostas, a se arriscar, a solicitar e conquistar a leitura. Quando fiz contato com a professora aumentou a segurança da mãe, que soube o tempo todo que nossa atenção estava voltada para os progressos constantes da filha, independentemente de alcançar ou não o ritmo da maioria, e aumentou a segurança da criança que contava na escola o que fazíamos e me contava o que acontecia lá. Finalizou o ano lendo e escrevendo, no ritmo e possibilidades do que conseguimos trabalhar, foi aprovada não pelas notas, mas pela constante evolução no processo de leitura e escrita, pela vontade, pela participação. Perdeu o medo de ler na roda da sala de aula! Se sente capaz e fazendo parte do grupo como qualquer colega. A mãe não falou mais em dislexia e está confiante na evolução da filha, no tempo dela, reconhecendo, valorizando e incentivando o esforço da criança. Foi um progresso que emocionou a todos: a estudante que passou a ter brilho nos olhos e se divertir com as proposta mesmo reconhecendo cansaço em alguns momentos, a professora da escola que destacou o envolvimento e o prazer de ver a aluna ter prazer em aprender, o pai que percebeu a filha lendo cardápio na pizzaria, a mãe emocionada com a emoção de todos e, eu emocionada por fazer parte deste processo me sentindo mediadora da aprendizagem e de sentimentos.

Fiquem atentos às datas! o curso “Escola para Todos e cada Um” acontecerá este ano, novamente, no Centro de Estudos. As datas e inscrições estarão disponíveis em breve!

Vídeo1 – Apresentação do curso

Vídeo2 – A medicalização

Vídeo3 – A revolução nas Escolas

Vídeo4 – A aprendizagem desarticulada

Vídeo5 – Um design universal para a aprendizagem

Vídeo6 – O que diz a legislação escolar